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Queda de cabelo e o câncer de mama – Como enfrentar?

  Por Brenda Archanjo

Separamos tudo que as mulheres devem saber para lidar com as madeixas durante a luta contra o câncer de mama. Continue lendo para saber mais.

A quimioterapia vem com uma infinidade de efeitos colaterais. Embora não seja o mais sério dos efeitos colaterais, a queda de cabelo certamente é um dos mais angustiantes.

Muitas mulheres não se sentem confortáveis o suficiente para se abrir sobre o problema que estão enfrentando e preferem não falar sobre o tratamento, mas a queda dos cabelos acaba deixando claro para todos que elas estão lutando contra um câncer.

Além disso, a autoestima é muito afetada pela falta dos cabelos. Na sociedade em que vivemos é comum ouvir que o cabelo é a base da feminilidade da mulher, mas isso é uma tremenda mentira.

A feminilidade está em ser uma mulher de garra que nunca desiste das batalhas da vida, e isso toda mulher que luta ou já lutou contra o câncer de mama é.

Mas ser uma mulher forte e resiliente não faz com que esse período seja menos difícil. Por isso separamos tudo que você precisa sabe para lidar com seus cabelos antes, durante e após a quimioterapia.

Por que os cabelos caem durante a quimioterapia?

A resposta é que a maioria dos quimioterápicos utilizados no tratamento do câncer de mama atacam as células que se dividem rapidamente.

Suas unhas e pés também são constituídas por células que se dividem rapidamente, pois isso a quimioterapia também pode afetá-los.

Embora a queda mais comentada seja a dos cabelos da cabeça, a quimio pode afetar cabelos de todo o corpo. O nível da queda depende de qual medicamento você está prescrito.

Por isso é interessante conversar com seu médico e o restante da equipe sobre a queda de cabelo associada aos medicamentos específicos que estão te prescrevendo.

Posso evitar a queda capilar durante a quimioterapia?

Por se tratar de um procedimento inacessível para a grande maioria das brasileiras, o resfriamento do couro cabeludo durante a sessão de quimioterapia é, atualmente, o tratamento mais eficaz para prevenir a queda dos cabelos durante a quimioterapia.

A eficácia do procedimento já foi comprovada por diversos estudos desde na década de 70. Com o tempo o tratamento foi aprimorado e hoje no Brasil há dois equipamentos disponíveis.

A touca de criogel é armazenada em freezer a -25ºC e -30ºC e é trocada a cada 30 minutos durante a sessão de quimioterapia. Já na máquina de resfriamento automatizada um líquido a -4ºC circula pela touca e não há necessidade de trocas.

O resfriamento age reduzindo o fluxo sanguíneo nos vasos do couro cabeludo, o que diminui a circulação do quimioterápico e consequentemente sua ação das células do couro cabeludo. Dessa forma parte dos cabelos é poupada e a paciente apresenta menor queda de cabelos.

Infelizmente, o resultado do resfriamento não é igual para todas as mulheres. Sua eficiência depende do tipo de quimioterapia, da idade, da temperatura atingida pelo couro cabeludo, entre outros fatores.

Pessoas que estão em tratamento para tumores hematológicos, como leucemia ou linfoma, e pacientes com doenças causadas ou agravadas pelo frio não devem fazer o resfriamento do couro cabeludo durante a quimioterapia.

Como já foi dito anteriormente, esse é um tratamento de custo bastante elevado. Sendo assim, enfrentar a queda dos cabelos muitas vezes é a única opção.

Mas isso não é razão para desânimo, pois há outras alternativas para lidar com a alopecia, como o uso de lenços e perucas. Investir nos cuidados com a pele e passar a usar maquiagem também elevam bastante a autoestima.

Dá para se sentir bonita durante a quimioterapia. Na verdade, muitas mulheres relatam terem descoberto apenas após o início do tratamento o quanto é prazeroso e recompensador se cuidar.

Cuidando do cabelo durante a queda

A perda de cabelo decorrente da quimioterapia vem em duas formas: quebra de cabelo e queda de cabelo real. Embora não haja um consenso sobre a maneira correta de cuidar do couro cabeludo, existem muitas sugestões úteis.

Faça o mínimo possível com seu cabelo, pois isso irá reduzir o sofrimento psicológico e também minimizar quebras e perdas causadas por escovar, puxar ou modelar muito o cabelo. Você pode usar shampoo e condicionador com frequência, se preferir, mas geralmente lavar o cabelo uma ou duas vezes por semana é o suficiente.

Seja gentil ao manusear o cabelo. Use um pente de dentes largos ao escovar. Você pode optar por usar uma rede para o cabelo à noite, o que evita que seu cabelo caia em tufos na fronha e você tenha que limpá-lo pela manhã.

Escolha produtos suaves para os cabelos. Muitos shampoos têm fragrâncias e produtos químicos agressivos que só servem para secar a pele já irritada.

Os condicionadores, pelo contrário, às vezes podem ser excessivamente oleosos ou conter emolientes, umectantes de que você simplesmente não precisa.

Quando se trata de limpeza do cabelo, a primeira regra é simplificar. Se o seu cabelo estiver ficando ralo, use um shampoo mais suave para o seu couro cabeludo.

Os médicos geralmente recomendam um shampoo para bebês com pH adequado para pele seca e inflamada. Se seu couro cabeludo coçar ou estiver sensível, esfregar óleo de bebê ou óleo mineral na pele pode ajudar.

Se seu cabelo não caiu totalmente, considerar um novo penteado que não exija tanto secador, ondulação ou produtos para o cabelo pode ser uma boa opção.

Ana Furtado adere um corte pixie deivdo ao câncer

Um corte pixie, por exemplo, requer pouco produto para o cabelo e permite pentear em qualquer direção necessária para ocultar manchas de desbaste.

Algumas mulheres optam por raspar a cabeça para reafirmar seu poder sobre seu corpo durante o tratamento do câncer e também para evitar ter que ver o cabelo cair. Isso também é algo a se considerar.

Quanto aos tratamentos para o cabelo, os médicos quase universalmente desaconselham a coloração ou o alisamento durante a quimioterapia.

Mesmo que você não tenha muita (ou nenhuma) queda de cabelo, a quimioterapia ainda pode danificar a haste do cabelo e causar um couro cabeludo seco, com coceira e escamoso. Isso pode levar a resultados imprevisíveis durante a coloração ou o alisamento e às vezes pode até acelerar o enfraquecimento do cabelo.

Além disso, é quase certo que os produtos químicos agressivos lhe causem irritações desnecessárias. Se colorir o cabelo é realmente importante para você, opte por uma coloração temporária ou semipermanente que não contenha peróxido ou parafenilenodiamina (PPD).

Agora, se você deseja clarear o cabelo, é melhor esperar até terminar a quimioterapia, pois praticamente todos os produtos usados para descoloração contêm peróxido.

O que fazer depois que todos os fios já caíram?

Embora possa parecer o fim do mundo, usar uma peruca pode realmente ajudá-la a se sentir mais confiante em público e, hoje em dia, existem inúmeros estilos e cores para escolher.

Você pode até cortar e colorir sua peruca para combinar com sua cor e estilo naturais. Planos de saúde geralmente cobrem as despesas de perucas para pessoas em tratamento de câncer, se forem prescritas como uma “prótese craniana”. Existem até organizações que as fornecem gratuitamente.

Se você optar por usar uma, compre uma touca para ajudar a eliminar parte da coceira causada pelo uso da peruca.

Se preferir, você também pode usar um lenço na cabeça para proteger seu couro cabeludo e ficar estilosa.

Independentemente do que você escolher, o imprescindível é proteger sua cabeça do sol, manter seu couro cabeludo aquecido e sentir-se mais confortável.

Quando você estiver ao ar livre sem nada protegendo seu couro cabeludo, use um protetor solar com fator de proteção de pelo menos 30 FPS.

Embora o cabelo seja importante para a autoestima e simbolize a feminilidade em nossa cultura, enquanto você está lutando contra o câncer, o mais importante é permanecer emocional e mentalmente forte para a luta.

É muito provável que seu cabelo volte a crescer e, acima de tudo, isso não te define. Sua força através da adversidade, sim.

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